COMO ESCOLHER UM ADVOGADO ESPECIALISTA? COMPETÊNCIA IMPORTA, MAS CONFIANÇA TAMBÉM

Escolher um advogado para cuidar de uma questão importante da sua vida vai muito além de analisar diplomas, títulos acadêmicos ou anos de experiência profissional.

É claro que conhecimento técnico, competência e especialização são fundamentais. Mas, principalmente em áreas que envolvem questões pessoais e familiares, existe outro elemento que considero indispensável nessa escolha: a conexão entre advogado e cliente.

Digo isso não apenas como advogada, mas também como alguém que já esteve do outro lado dessa relação, na posição de cliente.

Antes do currículo, precisa existir confiança

Quando alguém procura um advogado, normalmente existe um problema por trás daquele primeiro contato.

Em algumas áreas do Direito, especialmente no Direito de Família, o cliente chega ao escritório trazendo muito mais do que documentos e perguntas jurídicas. Ele traz histórias, conflitos, preocupações, medos, frustrações e, muitas vezes, situações extremamente íntimas.

Divórcios, guarda de filhos, pensão alimentícia, disputas patrimoniais e conflitos familiares envolvem aspectos da vida que nem sempre são fáceis de compartilhar.

Por isso, acredito que uma das primeiras coisas que precisam existir entre advogado e cliente é empatia e confiança.

O advogado não é psicólogo e não deve ocupar esse papel. Entretanto, na prática profissional, acaba ouvindo histórias muito pessoais e participando de momentos delicados da vida de seus clientes.

E, para que possa exercer uma boa defesa, precisa conhecer os fatos.

Todos eles.

Inclusive aqueles que o cliente considera desconfortáveis, constrangedores ou aparentemente prejudiciais à sua própria posição.

Um advogado que conhece antecipadamente os pontos fortes e fracos de uma situação consegue elaborar uma estratégia. Já uma informação importante descoberta somente durante o processo pode modificar completamente o rumo de uma defesa.

Por isso, o cliente precisa sentir que encontrou um ambiente seguro para falar a verdade.

E o advogado, por sua vez, também precisa ser sincero.

Advogado não deve vender falsas expectativas

Uma boa relação profissional não deve ser construída em promessas de vitória.

Quando alguém procura um advogado, é natural desejar ouvir frases como:

“Vamos ganhar.”

“Essa causa é certa.”

“Não tem como o juiz decidir diferente.”

Mas o Direito não funciona dessa maneira.

Em regra, a advocacia é uma atividade de meio, e não de resultado.

Isso significa que o advogado deve utilizar seu conhecimento técnico, sua experiência, sua dedicação e todos os instrumentos jurídicos disponíveis para defender os interesses do cliente da melhor maneira possível.

Mas a decisão final não pertence ao advogado.

Quem julga é o Poder Judiciário.

E processos envolvem provas, documentos, testemunhas, jurisprudência, interpretação da legislação e, evidentemente, a análise do magistrado responsável pelo caso.

Dois juízes podem interpretar determinadas circunstâncias de maneira diferente, assim como tribunais podem modificar entendimentos ao longo do tempo.

Por isso, um bom profissional não é aquele que promete o resultado que o cliente gostaria de ouvir.

É aquele que explica os riscos, apresenta os possíveis caminhos e deixa claro o que pode e o que não pode ser feito.

Então, por que escolher um especialista?

Se nenhum advogado pode garantir um resultado, surge uma pergunta natural:

Qual é a vantagem de contratar um advogado especializado em determinada área?

A resposta está principalmente na experiência acumulada.

Um advogado que trabalha diariamente com determinada matéria passa a conhecer não apenas a legislação, mas também as situações que se repetem dentro dos processos.

Ele acompanha decisões recentes, alterações legislativas, novos posicionamentos dos tribunais e diferentes estratégias utilizadas naquele tipo específico de demanda.

Imagine, por exemplo, um advogado que atua predominantemente na área trabalhista.

Naturalmente, ele estará constantemente acompanhando alterações da legislação trabalhista, decisões dos Tribunais Regionais do Trabalho e do Tribunal Superior do Trabalho, além das peculiaridades processuais dessa área.

Da mesma maneira, um advogado que atua diariamente no Direito de Família desenvolverá experiência prática em divórcios, guarda, convivência familiar, alimentos, partilha de bens e outros conflitos familiares.

Não significa que um profissional de outra área não tenha capacidade jurídica.

Todos passaram pela formação em Direito e pela habilitação profissional.

A diferença está na vivência constante daquela matéria.

É parecido com o que acontece em outras profissões.

Quando uma pessoa possui um problema específico de saúde, normalmente procura um médico especializado naquela área. Não porque os demais médicos sejam incapazes, mas porque aquele profissional dedica sua rotina justamente ao estudo e ao tratamento daquele tipo de situação.

Na advocacia, essa lógica também faz sentido.

Especialização também é experiência prática

Pós graduações, cursos, especializações e constante atualização são importantes.

Mas existe um conhecimento que nasce principalmente da prática.

Ao acompanhar repetidamente determinados tipos de processos, o advogado começa a identificar padrões, dificuldades recorrentes e estratégias que podem funcionar melhor em cada situação.

Também aprende com processos em que obteve resultados favoráveis e com aqueles em que o resultado não foi o esperado.

Essa experiência é extremamente valiosa.

A advocacia é construída não apenas pelas causas ganhas, mas também pelo conhecimento adquirido em cada processo.

Com o passar dos anos, o profissional passa a enxergar detalhes que talvez não fossem tão evidentes no início da carreira.

É justamente essa soma entre conhecimento técnico e experiência prática que torna a especialização relevante para o cliente.

Cada advogado também escolhe a área com a qual se identifica

Existe ainda outro aspecto que considero interessante.

Embora todos sejamos advogados, cada profissional acaba desenvolvendo maior identificação com determinadas áreas do Direito.

Alguns se apaixonam pelo Direito Penal.

Outros pelo Direito Trabalhista, Empresarial, Tributário ou Previdenciário.

E outros encontram no Direito de Família a área na qual realmente desejam desenvolver sua trajetória profissional.

Essa identificação influencia diretamente a busca por cursos, especializações, jurisprudência, atualização legislativa e experiência prática.

Quando um profissional escolhe determinada área para concentrar sua atuação, tende naturalmente a aprofundar seus conhecimentos naquele universo.

O advogado será a sua voz dentro do processo

Talvez essa seja uma das melhores formas de compreender a importância dessa escolha.

Quando você contrata um advogado, está escolhendo a pessoa que apresentará a sua história ao Judiciário.

Será aquele profissional que organizará fatos, documentos e argumentos para demonstrar ao juiz aquilo que você pretende defender.

De certa forma, o advogado será a sua voz dentro do processo.

Por isso, não basta escolher alguém apenas porque possui muitos diplomas ou porque promete resultados extraordinários.

É importante perguntar a si mesmo:

Eu consigo conversar abertamente com esse profissional?

Sinto que ele compreendeu realmente o meu problema?

Ele explicou os riscos ou apenas prometeu o que eu gostaria de ouvir?

Tenho segurança para contar fatos difíceis ou desfavoráveis?

Esse profissional atua com frequência nesse tipo de processo?

Essas respostas podem dizer muito sobre a relação que será construída durante o andamento da ação.

Competência técnica e conexão precisam caminhar juntas

Escolher um advogado especialista não significa buscar alguém capaz de garantir uma vitória.

Esse profissional simplesmente não existe.

O que existe é o advogado que estudou aquela matéria, acompanha suas mudanças, conhece seus caminhos e desenvolveu experiência lidando repetidamente com situações semelhantes.

Mas, na minha visão, ainda existe algo anterior à própria especialização.

Confiança.

O cliente precisa confiar em seu advogado.

O advogado precisa ter acesso à verdade dos fatos.

Ambos precisam compreender os limites e as possibilidades do processo.

Quando existe transparência nessa relação, a estratégia jurídica se torna muito mais sólida.

No final, talvez a melhor escolha não seja necessariamente o profissional com o maior número de títulos pendurados na parede.

É aquele que consegue reunir conhecimento, experiência, sinceridade, responsabilidade e confiança.

Porque contratar um advogado é entregar a alguém a responsabilidade de representar uma parte importante da sua vida diante da Justiça.

E essa escolha merece ser feita com cuidado.

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